co.mu.ni.da.de [lat. communitate] s.f. 1.
Os dicionários definem assim o termo ~: “O corpo social; a
sociedade” (FERREIRA, 2010, p. 183) e “um grupo de pessoas que
vivem juntas em um lugar.” (OXFORD, 2006, p. 174, tradução nossa)
2. De acordo com Maingueneau (apud BRANDÃO, MUSEU DA
LÍNGUA PORTUGUESA, 2018, p. 2, 3), “O falante/ouvinte,
escritor/leitor são seres situados num tempo histórico, num espaço
geográfico; pertencem a uma comunidade, a um grupo e por isso
carregam crenças, valores culturais, sociais, enfim a ideologia do
grupo, da comunidade de que fazem parte.” Em AD e ACD, porém, o
termo ~ não se delimita apenas a grupos de pessoas e suas
ideologias, mas também de seus discursos. A rede de discursos que se
constrói em determinado âmbito social é também a ~ dos discursos.
con.cep.ção [lat. conceptione] s.f. Tem a ver
com ideologia. ~ é o entendimento dos sujeitos com relação ao
mundo e as coisas relacionadas ao mundo.
co.nhe.ci.men.to [conhecer; lat. cognoscere] s.m.
1. Informação, noção ou habilidades adquiridas através de
estudos e/ou experiências. 2. “É a relação estabelecida
entre sujeito e objeto, na qual o sujeito apreende informações a
respeito do objeto. É a atividade de psiquismo humano que
torna presente à sensibilidade ou à inteligência um determinado
conteúdo, seja ele no campo empírico ou do próprio campo ideal.”
(SEVERINO, 2007, p. 38, grifo nosso) 3. ~ compartilhado é
essencial entre os interlocutores de um discurso para que a sua
mensagem possa ser transmitida com sucesso. ~ de mundo. Também
chamado ~ enciclopédico, é aquele adquirido através da vivência.
~s linguísticos. Vocabulário, gramática, morfologia, sintaxe etc.
~s extralinguísticos. “[…] de mundo, enciclopédico, históricos,
culturais, ideológicos” etc. (BRANDÃO, MUSEU DA LÍNGUA
PORTUGUESA, 2018, p. 3) Como o nome indica, que vai além do
conhecimento da língua e não se limita apenas ao ~ adquirido pelas
experiências, mas também das pesquisas.
con.tex.to [lat. contextu] s.m. 1. As
circunstâncias que dão forma a um evento, declaração ou ideia. 2.
Segundo Maingueneau (apud BRANDÃO, MUSEU DA LÍNGUA
PORTUGUESA, 2018), é preciso adequar a linguagem à situação em
que está se falando. Uma frase (ou enunciado) apenas fará sentido
no ~ em que ela é produzida, podendo ser interpretada de maneiras
diferentes quando proferidas fora de seu ~ original. Sugestão:
Experimente comparar uma mesma notícia que é veiculada por diversos
jornais e revistas.
con.tex.tu.a.li.za.ção s.f. A adequação da
linguagem dos locutores ou interlocutores à determinadas situações.
con.tra.i.de.o.lo.gia [contra + -ideologia] s.f. Sobre
~, Aranha & Martins (2005, p. 148) afirmam que “[…] devemos
compreender o saber como um processo – um constante movimento entre
o pensar e o agir –, e não como uma coleção de verdades
‘acabadas’ vindas não se sabe bem de onde.” ~, diferentemente
do senso comum (ingênuo e acrítico), traz à tona o que a ideologia
esconde e revitaliza os valores. Continuam: “O importante [para o
exercício da contraideologia] é não se limitar a um esforço
solitário, e sim que essa atuação seja cada vez mais assumida como
tarefa coletiva.” (Ibid., colchetes inseridos)
con.ver.sa [conversar; lat. conversare] s.f. /
con.ver.sa.ção s.f. 1. O diálogo, seja em
monólogo (consigo) ou com outros. 2. Interação verbal. 3.
A monitoração da fala de acordo coma a reação do outro.
cul.tu.ra [lat. colere; cuidar] s.f. 1. O
conceito de cultura é relativo ao que se tem como referência.
Aranha & Martins (2005, p. 20) dizem: “[…] podemos dizer que
tudo o que o ser humano faz é cultura? A resposta pode ser sim e
não, dependendo do conceito de cultura que estivermos usando – o
antropológico, amplo, ou o restrito à área das
artes.” (grifo nosso) Conceito antropológico de ~.
1. “[…] tudo aquilo que passa por uma impregnação de
algum tipo de intervenção humana.” (SEVERINO, 2007, p. 185) 2.
No sentido antropológico, ~ é a construção simbólica que guia a
ação humana, assim, sendo “o modo como os indivíduos respondem
às suas necessidades e aos seus desejos simbólicos.” (ARANHA &
MARTINS, 2005, p. 21) Desse modo, inclui-se em ~ todas as atividades
humanas: a língua, as ideias, as crenças, os costumes, os códigos,
as instituições, as ferramentas, a arte, a religião, a ciência
etc. “[…] portanto, podemos dizer que tudo o que faz parte do
mundo humano é cultura e que todos nós somos cultos, pois dominamos
a cultura do nosso grupo” (Ibid.). Essa concepção, segundo
Oliveira & Costa (2007), surgiu no século XIX. Conceito restrito
de ~. 1. “Num plano ainda mais abrangente, a cultura
significa essa dimensão mais espiritual da vida social ou individual
e que é constituída por processos subjetivos de simbolização, de
imaginação e de sensibilidade.” (SEVERINO, 2007, p. 185) 2.
“[…] a expressão das emoções, desejos, interpretações e
críticas da realidade social.” (OLIVEIRA & COSTA, 2007, p.
156) 3. Esse conceito que surge no século XX realiza um corte no
sentido antropológico, uma vez que passa a restringi-la às
produções artísticas, como pintura, dança, cinema, literatura,
música, vídeo, escultura, performance, teatro etc. (ARANHA &
MARTINS, 2005) “[…] nem tudo o que o ser humano faz pode ser
considerado como cultura, porque a arte traz um conhecimento muito
específico do mundo” (Id., p. 22) Culto, aqui, representa
aquela pessoa “que domina os vários códigos das manifestações
artísticas e sabe atribuir valores e significados mais profundos às
obras de arte.” (Ibid.) ~ de massa / industrialização
da ~. 1. “A cultura passa a ser produzida como mais
um conjunto de mercadorias destinadas ao consumo fetichista, ao mesmo
tempo que é usada como mais um instrumento de controle e dominação
ideológica das pessoas” (SEVERINO, 2007, p. 184) 2. É
aquela produzida por um grupo de profissionais cuja classe social é
diferente daquela do público a que se destina. É guiada pela
demanda, pela tendência. Seu público (o povo, a massa) não tem
muita informação e visa ser um passatempo. (Id., p. 55)
Quais seriam os seus meios? Para o professor canadense McLuhan (1971
apud OLIVEIRA & COSTA, 2007, p. 156), “mais importante
do que a análise do conteúdo de uma mensagem seria a análise do
seu veículo.” Na década de 1960, o professor declarou: “O meio
é a mensagem.” (apud OLIVEIRA & COSTA, 2007, p. 156)
Considerados como o quarto poder (além do judiciário, legislativo e
executivo), esses meios são: (1) a oralidade e os gestos, forma mais
primitiva de meio de comunicação de massa; (2) a imprensa (século
XVI), conhecida como Galáxia Gutemberg; (3) rádio, cinema, TV, a
Galáxia de Marconi. (OLIVEIRA & COSTA, 2007) No que concerne aos
meios de comunicação de massa (estudados principalmente pela Escola
de Frankfurt), pode-se dizer que nela existe “manipulação,
formação de opinião, infantilização e condicionamento de mentes
e produção cultural do grotesco para despolitização” (Id.,
p. 158). O analista crítico do discurso vai de encontro a esse
processo implícito de manipulação denunciando-o às massas (o
povo) e convidando-as para a reflexão assumindo uma postura
contraideológica.
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