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CARACTERÍSTICAS

Este glossário reúne alguns vocabulários específicos da Análise do Discurso (AD) e da Análise Crítica do Discurso (ACD), além de outros verbetes e expressões que poderão, de alguma forma, relacionar-se ao estudo de AD e ACD. Diz respeito a um trabalho acadêmico sob encomenda da Prof.ª Mestra Maria Lúcia Ribeiro de Oliveira para a disciplina de Análise do Discurso do curso de Letras da Faculdade Frassinetti do Recife – FAFIRE, no ano de 2015. Muito do que se reúne aqui é uma compilação do que fora abordado em sala de aula, contudo tem passado por diversas revisões até a presente publicação. Quanto à linguagem utilizada, é intencional que o seu discurso seja simples e dialético.
Várias obras foram consultadas durante o processo de seleção e definição dos verbetes com o intuito de oferecer um acervo de qualidade ao estudante de Letras ou pessoas interessadas em estudos discursivos sem perder a inteligibilidade na explanação dos verbetes. Estudiosos como Norman Fairclough, Dominique Maingueneau e Helena Hathsue Nagamine Brandão contribuíram efetivamente para a corporificação deste glossário.
A AD é uma linha de estudo linguístico que fora produzido na França em meados das décadas de 1960 e 1970 e que dá atenção ao processo de produção dos discursos. A ACD vem de uma linhagem de estudo anglo-saxã que “tenta revestir-se de uma prática social transformadora da sociedade, dando aos analistas um relevante estatuto de interventor social por meio de seu trabalho de análise.” (MELO, 2009, p. 9, grifo nosso) Trata-se de um estudo linguístico que faz da prática discursiva uma arma em defesa das minorias.
Atualmente, existem várias correntes de estudos em cada uma dessas escolas de estudos discursivos. Neste glossário, discorre-se apenas sobre as linhas de estudo francesa (AD) e anglo-saxã (ACD).

Características da versão on-line

Todas as palavras e expressões estão classificadas em ordem alfabética, como nos dicionários. O Mini Aurélio (FERREIRA, 2010) e o Oxford Dictionary of Current English (OUP, 2006) serviram como modelos para o design deste trabalho, além de contribuírem para algumas definições que correspondem aos da AD e ACD ou que podem trazer alguma luz sobre os verbetes de entrada.
As entradas constituem-se unicamente de substantivos, sendo outras classes gramaticais inseridas apenas quando necessárias e após os substantivos de entrada; o mesmo acontece com as locuções.
Quando um vocábulo vier com mais de uma definição, a primeira será sempre aquela comumente utilizada pelos lexicógrafos ou que mais se aproxima de suas definições. Veja o exemplo abaixo:


a.ná.li.se [gr. análysis] s.f. Observação minuciosa. ~ crítica do discurso. Segundo Melo (2001, p. 9), “[…] se denomina assim porque tenta revestir-se de uma prática social transformadora da sociedade, dando aos analistas um relevante estatuto de interventor social por meio de seu trabalho de análise. ~ do discurso. 1. “[…] o estudo da língua sob a perspectiva discursiva” (BRANDÃO, MUSEU DA LÍNGUA PORTUGUESA, 2018, p. 5). 2. Observar minuciosamente, além da decodificação do texto, os aspectos fundamentais do discurso: sujeitos, vozes, ideologias etc.


  1. O verbete a.ná.li.se aparece negritado e separado silabicamente, seguido da origem etimológica entre colchetes e do gênero em itálico.
  2. A primeira definição estabelece uma visão mais ampla sobre o verbete, sendo as seguintes mais específicas dentro dos estudos da AD e da ACD.
  3. Os [colchetes] indicam a supressão de um trecho da citação quando com reticências […] ou inserções, que são usadas para completar o sentido.
  4. O sinal ( ~ ) é utilizado para substituir o verbete, o que não acontece dentro de citações diretas.
  5. Os verbetes ou expressões que, além de negritados, estiverem em itálico configuram-se subitens do tópico principal e, por isso, a numeração das definições é reiniciada.
* Atualizações feitas na versão on-line podem não aparecer ainda na versão disponível em PDF.

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