a.ná.li.se [gr. análysis] s.f. Observação
minuciosa. ~ crítica do discurso (ou: ~ do discurso crítica).
1. Uma linha de estudo linguístico transdisciplinar
anglo-saxão que interpreta a língua do ponto de vista discursivo e
que considera a língua como uma prática social. Por isso, a língua
exerce poder. Assim, a ACD vem a ser um instrumento, uma arma, em
defesa das minorias. 2. Segundo Melo (2001, p. 9), “[…] se
denomina assim porque tenta revestir-se de uma prática social
transformadora da sociedade, dando aos analistas um relevante
estatuto de interventor social por meio de seu trabalho de análise.
A ACD é um estudo de oposição às estruturas e às estratégias do
discurso das elites. Seus analistas são, normalmente, militantes
sociais, intelectuais orgânicos que formulam propostas para
exercerem ações de contrapoder e contra-ideologia a situações de
opressão.” E acrescenta: “O princípio norteador da ACD
sustenta-se na noção de que o discurso constitui e é constituído
por práticas sociais, sobre as quais se podem revelar processos de
manutenção e abuso de poder, por isso é função do analista
crítico do discurso difundir a importância da linguagem na
produção, na manutenção e na mudança das relações sociais de
poder e aumentar a consciência de que a linguagem contribui para a
dominação de uma pessoa sobre a outra, tendo em vista tal
consciência como o primeiro passo para a emancipação.” (Ibid.)
~ do discurso. 1. “[…] o estudo da língua sob a
perspectiva discursiva” (BRANDÃO, MUSEU DA LÍNGUA PORTUGUESA,
2018, p. 5). 2. Observação minuciosa, além da decodificação
do texto, dos aspectos fundamentais do discurso: sujeitos, vozes,
ideologias etc. 3. Para Foucault (1972 apud FAIRCLOUGH,
2001, p. 64, colchetes inseridos), “a análise do discurso [está]
voltada para a análise de enunciados”, que é considerada uma
forma de analisar desempenhos verbais e “diz respeito não à
especificação das frases que são possíveis ou gramaticais, mas à
especificação sociohistoricamente variável de formações
discursivas (algumas vezes referidas como discursos), sistemas de
regras que tornam possível a ocorrência de certos enunciados, e não
outros, em determinados tempos, lugares e localizações
institucionais.” O modelo tridimensional da ~ discursiva de
Fairclough abrange (1) o texto, (2) a prática discursiva e a (3)
prática social.
Eu, eu mesmo… Eu, cheio de todos os cansaços Quantos o mundo pode dar. — Eu… Afinal tudo, porque tudo é eu, E até as estrelas, ao que parece, Me saíram da algibeira para deslumbrar crianças… Que crianças não sei… Eu… Imperfeito? Incógnito? Divino? Não sei… Eu… Tive um passado? Sem dúvida… Tenho um presente? Sem dúvida… Terei um futuro? Sem dúvida… A vida que pare de aqui a pouco… Mas eu, eu… Eu sou eu, Eu fico eu, Eu… Eu (CAMPOS apud SANTOS, WENDELL BATISTA/PE, 31/11/2015). Analisar um discurso poético certamente não é tão simples quanto um conto, uma crônica, narrativa ou outros gêneros, sejam eles literários ou não. Ainda estes outros gêneros exigem discernimento e bom senso de quem se arrisca a inferir (analisar também é isto, uma vez que o autor da análise levanta hipóteses ou afirmativas sobre o autor do discurso) sobre o que o autor propõe, as suas ideologias, seu espaço no tempo etc. Fernando Pessoa, além de ter escrito em se...
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